O vereador Gabriel França (União), único parlamentar de oposição na Câmara Municipal de Eusébio, levantou questionamentos sobre os gastos da Prefeitura com a compra de cestas básicas durante sessão realizada na segunda-feira (16). Em discurso no plenário, o parlamentar comparou os valores previstos em contrato firmado pelo município com preços encontrados por ele no comércio, apontando possíveis diferenças nos custos.
Segundo Gabriel, os preços de alguns itens contratados estariam acima do que considera razoável, o que, na avaliação dele, poderia representar prejuízo aos cofres públicos. Durante a fala, o vereador exibiu produtos e citou nominalmente o secretário de Educação, Acilon Gonçalves, e a secretária de Desenvolvimento Social, Samara Cordeiro, ao cobrar explicações sobre os valores pagos.
Entre os itens citados pelo parlamentar estão arroz, açúcar, aveia, biscoito cream cracker, carne moída, flocão de milho, fécula de mandioca e feijão carioca. De acordo com o contrato administrativo nº 020326001, mencionado durante a sessão, cada cesta básica teria custo de R$ 557,62. Considerando cerca de 9 mil unidades previstas, o gasto total chegaria a R$ 5.018.580,00.
Ao comparar os preços do contrato com os encontrados por ele em supermercados, Gabriel afirmou haver discrepâncias em produtos como açúcar, carne de charque, leite em pó e óleo de soja. O vereador argumentou que, mesmo diferenças aparentemente pequenas por item, quando multiplicadas em grande escala, representariam valores expressivos.
Apesar das críticas apresentadas no grande expediente, nenhum dos 11 vereadores da base governista presentes na sessão se manifestou sobre o tema.
Procurada, a Prefeitura de Eusébio rebateu as declarações por meio de sua assessoria. Em nota, o município afirmou que o vereador “expõe dados e números que ele extrai da cabeça dele” para provocar um debate que, segundo a gestão, “não se sustenta”. A administração classificou como “muito ruim” ter de responder a questões que considera “inverídicas”.
A assessoria também lembrou que o prefeito Dr. Júnior já havia contestado anteriormente informações apresentadas pelo vereador em sessões da Câmara. Ainda assim, o contrato citado pelo parlamentar consta no portal da transparência do município, com os valores mencionados no documento.
O episódio amplia a tensão entre oposição e base governista em Eusébio e deve manter em evidência o debate sobre transparência e fiscalização dos gastos públicos no município.



