Pesquisa mostra que 71% dos brasileiros são contra a proposta de piso para entregas por aplicativo; maioria teme repasse ao consumidor e impacto maior sobre os mais pobres.
A proposta do governo federal de criar uma remuneração mínima para entregas por aplicativo enfrenta forte resistência popular. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (17) aponta que 71% dos brasileiros são contrários à medida, enquanto 29% se dizem favoráveis ao novo modelo, que prevê valor mínimo de R$ 10 por entrega e acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro adicional acima de 4 km.
O tema ganhou destaque após o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defender a proposta como parte da regulamentação do trabalho por aplicativos. Segundo o governo, a iniciativa busca garantir remuneração mais justa aos entregadores e ampliar a proteção da categoria.
Apesar disso, a percepção majoritária da população é de que a medida pode pesar no bolso do consumidor. De acordo com o levantamento, 78% dos entrevistados acreditam que, se a proposta for aprovada, os preços dos pedidos feitos por aplicativo vão subir. Outros 17% avaliam que os valores devem ficar iguais, e apenas 5% acham que haverá redução.
A preocupação cresce ainda mais quando o impacto social entra em cena. Para 86% dos entrevistados, o aumento no custo das entregas afetaria principalmente os brasileiros mais pobres, enquanto 14% dizem que o peso maior recairia sobre os mais ricos.
A resistência também aparece quando o assunto é pagar mais pelo serviço. Segundo a pesquisa, 71% afirmaram que não estariam dispostos a desembolsar um valor maior pelas entregas caso a proposta provoque reajuste nos aplicativos. Apenas 29% disseram que aceitariam pagar mais.
O levantamento, realizado em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), ouviu 1.031 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 13 e 16 de março. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Para o presidente executivo da ANR, Fernando Blower, a regulamentação dos entregadores é necessária, mas precisa ser conduzida com equilíbrio para proteger os trabalhadores sem comprometer a sustentabilidade do setor. Na avaliação dele, a fixação de valores mínimos pode pressionar bares e restaurantes, sobretudo os de pequeno porte, além de ampliar o custo para consumidores mais vulneráveis.



