O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou uma ofensiva do governo federal para apurar possíveis irregularidades na formação dos preços do diesel, em meio à escalada do combustível e aos temores sobre os impactos da alta na inflação. A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar práticas abusivas no mercado de combustíveis, após receber informações da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre indícios de elevação de preços sem justificativa compatível com os custos do setor.
Segundo o governo, a investigação mira condutas que podem configurar crimes contra a ordem econômica e contra a economia popular. A apuração busca identificar se há irregularidades em postos, distribuidoras e outros agentes da cadeia de combustíveis, num momento em que o Planalto tenta conter repasses considerados abusivos ao consumidor.
Auxiliares do presidente afirmam que a principal preocupação de Lula é o efeito do diesel sobre o custo do transporte, sobre os preços dos alimentos e sobre o humor da economia em ano eleitoral. De acordo com relatos publicados nesta quarta-feira, serviços de inteligência do governo identificaram indícios de possível formação de cartel para elevar preços mesmo com estoques antigos do combustível, hipótese que agora deverá ser aprofundada pela PF.
A mobilização do governo vai além da investigação policial. Em coletiva nesta semana, a gestão federal anunciou uma força-tarefa com Senacon, ANP, Cade, Procons e Ministério da Justiça para ampliar a fiscalização no setor. Segundo o Ministério da Justiça, mais de 100 Procons participaram da operação, que já alcançou 669 postos de combustíveis, 64 distribuidoras e ao menos uma refinaria em 16 estados.
O governo também tenta reduzir a pressão sobre o preço final do diesel com medidas tributárias e regulatórias. Na semana passada, zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, com impacto estimado de redução de R$ 0,32 por litro, e passou a intensificar a cobrança sobre o cumprimento do piso mínimo do frete rodoviário para evitar novos focos de insatisfação entre caminhoneiros.
Nesta quarta-feira, o Ministério dos Transportes e a ANTT anunciaram um pacote para endurecer a fiscalização do frete mínimo. Entre as medidas estão a ampliação do monitoramento eletrônico e sanções mais duras para empresas reincidentes, numa tentativa de evitar que a alta do diesel provoque nova crise no transporte de cargas.
Com isso, o Palácio do Planalto tenta agir em duas frentes: investigar eventuais abusos na cadeia de combustíveis e impedir que a disparada do diesel agrave a inflação, pressione os juros e desgaste ainda mais o governo no cenário político de 2026.



