Mudança atinge cúpula da administração estadual, inclui nomes que devem disputar as eleições e ocorre sob sombra de processo que pode tornar governador inelegível
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), promoveu nesta sexta-feira uma ampla mudança em sua equipe de governo ao exonerar 11 secretários estaduais, além de subsecretários e outros servidores comissionados. A movimentação, oficializada por meio de publicações no Diário Oficial do Estado, ocorre em um momento de forte tensão política e amplia as especulações sobre uma possível renúncia do chefe do Executivo fluminense.
Ao todo, 26 exonerações foram registradas, atingindo não apenas o primeiro escalão, mas também cargos estratégicos de coordenadoria, diretoria e chefia de gabinete em diferentes pastas. Apesar das saídas, o governo já nomeou substitutos para parte dos postos, numa tentativa de manter o funcionamento da máquina administrativa em meio ao cenário de instabilidade.
A troca em massa chama atenção pelo momento em que ocorre. Nos bastidores, aliados de Cláudio Castro admitem que o governador avalia deixar o cargo, numa tentativa de reduzir os danos políticos e jurídicos provocados pelo avanço de processos eleitorais que o cercam. A hipótese de renúncia ganhou força após informações de que Castro teria decidido se afastar do governo para tentar evitar um desfecho ainda mais grave no Tribunal Superior Eleitoral.
Mesmo assim, eventual saída do cargo não interromperia automaticamente o julgamento em curso. Caso venha a ser condenado, Cláudio Castro poderá ficar inelegível. O governador responde a processo por abuso de poder político e econômico no caso Ceperj/Uerj, relacionado às eleições de 2022. O episódio se transformou em um dos principais focos de desgaste de sua gestão e segue produzindo efeitos no ambiente político do Rio.
Entre os exonerados estão nomes de peso da administração estadual e figuras que devem disputar cargos eletivos neste ano. É o caso de Douglas Ruas, até então secretário das Cidades, apontado como candidato ao governo estadual pelo PL. Também aparecem entre os desligados Vinicius Medeiros Farah, que comandava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, e Felipe Curi, ligado à área da Polícia Civil.
A saída desses secretários reforça a leitura de que a reorganização do governo não tem apenas caráter administrativo, mas também forte componente eleitoral. Em anos de disputa, é comum que integrantes do primeiro escalão deixem seus cargos para viabilizar candidaturas, mas, neste caso, o movimento ocorre em meio a uma crise política mais ampla, o que aumenta seu peso e repercussão.
O gesto de Castro é interpretado em Brasília e no Rio como um sinal claro de que o governo entrou em fase decisiva. A exoneração de nomes estratégicos, somada às especulações sobre renúncia, desenha um cenário de transição e incerteza no Palácio Guanabara. A depender dos próximos passos do governador, a rearrumação administrativa pode ser apenas o início de uma mudança mais profunda na condução política do estado.
Além do impacto interno, a mexida também tem potencial para influenciar diretamente a sucessão fluminense. Com secretários deixando seus postos para disputar eleições e o próprio governador cercado por dúvidas sobre permanência no cargo, o tabuleiro político do Rio entra em ebulição. O PL, partido de Castro, tenta administrar ao mesmo tempo a crise institucional e a preparação de seus nomes para a disputa eleitoral.
A publicação das exonerações no Diário Oficial formaliza uma ruptura importante dentro do governo. Mais do que uma simples troca de cadeiras, a decisão expõe um Executivo pressionado judicialmente, politicamente desgastado e obrigado a reorganizar seu comando em meio a um cenário de alta instabilidade.
A lista de secretários exonerados inclui nomes centrais da administração e indica que a reformulação promovida por Castro está longe de ser pontual. O movimento deve alimentar ainda mais as especulações sobre seu futuro político e sobre os desdobramentos de um governo que passa, neste momento, por uma de suas fases mais delicadas.



