Vídeos com símbolos, cultura pop e personagens animados mostram como o conflito também se trava no campo digital
A China entrou no cenário da disputa narrativa internacional ao divulgar um vídeo produzido com inteligência artificial que apresenta sua versão do conflito entre Estados Unidos e Irã. A produção, exibida pela TV estatal chinesa, viralizou nas redes sociais ao redor do mundo.
No vídeo, o ex-presidente Donald Trump é representado como uma águia — símbolo tradicional dos EUA — enquanto os iranianos aparecem como gatos, em referência à origem persa predominante no país. A narrativa inclui cenas simbólicas de ataques, promessas de retaliação e até o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global.
A produção termina com uma metáfora: outros países, representados por diferentes animais, caminham pelo deserto em busca de “novos caminhos”, sugerindo impactos globais do conflito.
Além da China, tanto Estados Unidos quanto Irã têm investido em conteúdos digitais para influenciar a opinião pública. O governo norte-americano, por exemplo, divulgou vídeos que transformam ataques militares em uma espécie de videogame, com referências ao jogo Call of Duty, incluindo pontuações e trilhas sonoras intensas.
Outras produções americanas utilizam personagens populares, como Homem de Ferro, Walter White e Bob Esponja, criando uma estética semelhante a trailers de filmes para retratar operações militares — estratégia que divide opiniões entre apoiadores e críticos.
Do lado iraniano, a resposta também veio em forma de conteúdo sofisticado. Uma das campanhas utiliza inteligência artificial para parodiar o filme Divertidamente, mostrando versões “malignas” das emoções dentro da mente de Trump, associando decisões militares a impulsos negativos.
Outras produções incluem animações inspiradas em brinquedos de montar, nas quais personagens representam líderes e soldados, frequentemente retratando o Irã como vencedor em confrontos contra os EUA e seus aliados.
O uso crescente de inteligência artificial, cultura pop e elementos emocionais revela uma nova frente nos conflitos internacionais: a guerra de narrativas. Mais do que batalhas físicas, governos disputam espaço na opinião pública global, utilizando tecnologia e criatividade para moldar percepções e influenciar audiências em escala mundial.



