Ação coordenada pelas FICCOs mobiliza forças de segurança em todo o país e mira grupos ligados ao tráfico de drogas, armas e movimentação milionária de recursos ilícitos.
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (18), uma grande ofensiva nacional contra organizações criminosas, com ações simultâneas em 15 estados. Segundo a corporação, a Operação Força Integrada cumpre 112 mandados de prisão e 181 mandados de busca e apreensão — número oficial da PF, ligeiramente acima dos 180 inicialmente citados em parte da repercussão — em Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Sergipe.
A operação é conduzida pelas Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), estrutura que reúne Polícia Federal, polícias civis, militares e penais, Polícia Rodoviária Federal, SENAPPEN e secretarias estaduais de segurança pública. De acordo com a PF, o modelo funciona como uma força-tarefa permanente de enfrentamento ao crime organizado e conta hoje com 39 unidades distribuídas pelos estados e pelo Distrito Federal.
Em São Paulo, a ofensiva tem como alvo uma organização criminosa com vínculos ao Comando Vermelho (CV), investigada por tráfico de drogas e crimes violentos ligados à disputa territorial no interior paulista. A ação cumpre 34 mandados de busca, 37 de prisão temporária e ainda prevê o sequestro e bloqueio de mais de 100 contas bancárias, com valores que podem chegar a R$ 70 milhões.
Em Pernambuco, os investigadores miram um grupo suspeito de atuar no tráfico de drogas e armas, roubos de carga e lavagem de dinheiro no Sertão. Já no Maranhão, a PF apura uma organização voltada ao tráfico de cocaína e crack em larga escala, com uso de empresas fantasmas e bens em nome de terceiros para ocultar recursos; nessa frente, o bloqueio financeiro pode alcançar R$ 297 milhões.
Outras frentes da operação também atingem diferentes estruturas criminosas no país. No Rio Grande do Sul, a ação busca desmontar um grupo envolvido com tráfico de drogas; na Bahia, o foco está em organizações criminosas ligadas ao tráfico; no Espírito Santo, a investigação apura o desvio e a revenda de entorpecentes apreendidos; e, no Amazonas, o alvo é um esquema de envio de drogas por meio do Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
Em Alagoas, os suspeitos teriam usado uma pizzaria como fachada para atividades ilícitas. No Paraná, a operação mira uma organização com vínculos operacionais ao PCC, investigada por tráfico e crimes violentos em meio a disputas territoriais. No Pará, há ações contra integrantes do Comando Vermelho e também contra uma ex-servidora do Tribunal de Justiça do estado, investigada por suposta colaboração com organização criminosa.
Também há diligências em Sergipe, com foco no tráfico de armas e munições, e no Amapá, onde a investigação apura o furto de um equipamento de informática pertencente a um assessor parlamentar. Em Minas Gerais, foi preso um condenado por tráfico de drogas no primeiro dia da ofensiva, enquanto no Ceará a operação cumpre mandados contra suspeitos de crimes violentos considerados de alto risco à ordem pública.
Segundo a Polícia Federal, as diligências continuam ao longo do dia e podem ter novos desdobramentos nos próximos dias. A corporação informou ainda que, em 2025, as FICCOs realizaram 246 operações, com mais de 2 mil mandados de busca e apreensão e mais de 1,5 mil mandados de prisão, reforçando a estratégia de integração nacional no combate às facções criminosas.



