O trio formado por João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho voltou aos holofotes nesta quarta-feira (7) com o lançamento de “Dominguinho Vol. 2”, continuação do projeto acústico que se transformou em um fenômeno nacional após mobilizar multidões em turnês pelo Brasil durante 2025.
Gravado ao vivo no Centro Histórico de Salvador, na Bahia, o novo trabalho repete a fórmula do primeiro álbum lançado em Olinda, em Pernambuco, apostando novamente na mistura de forró, xote, nostalgia e releituras afetivas de clássicos da música brasileira. Apesar disso, o segundo volume chega ao público com uma sensação menos espontânea e mais calculada, refletindo o peso do sucesso comercial alcançado pela estreia do projeto.
A essência delicada que conquistou o público permanece presente, especialmente na combinação entre a voz grave e marcante de João Gomes e a sanfona suave de Mestrinho. Faixas inéditas como “Deusa Minha” reforçam o clima romântico e intimista que se tornou marca registrada do trio.
Ao longo das 12 músicas, o álbum mergulha no universo nordestino com releituras de clássicos como “Numa Sala de Reboco”, eternizada por Luiz Gonzaga, e “Meu Cenário”, sucesso na voz de Flávio José. O trio também revisita “Ligação Estranha”, de Dorgival Dantas, mantendo viva a identidade do forró romântico.
Mas é nas escolhas mais inesperadas que o álbum tenta ampliar seu alcance popular. A recriação em ritmo de xote de “As Quatro Estações”, hit da dupla Sandy & Junior, e a versão de “Se Ela Dança, Eu Danço”, sucesso de MC Leozinho, mostram a tentativa do projeto de transformar nostalgia em espetáculo coletivo.
A estratégia acompanha o formato do show “Dominguinho”, que costuma ganhar clima de baile na segunda metade das apresentações, quando o trio incorpora músicas populares de diferentes estilos ao repertório. Nos palcos, a interação com o público potencializa essas versões. Já no álbum, o resultado soa mais contido e menos orgânico do que no primeiro trabalho.
Mesmo com críticas sobre a menor espontaneidade, “Dominguinho Vol. 2” surge como um movimento natural diante do enorme impacto comercial e artístico do projeto. O trabalho consolidou ainda mais João Gomes entre os principais nomes da música popular brasileira e ampliou significativamente a projeção nacional de Jota.Pê e Mestrinho.
Com forte apelo popular, repertório afetivo e clima acolhedor, o projeto segue mostrando força para continuar em evidência nos próximos anos, especialmente nos palcos, onde o calor do público parece ser o ingrediente essencial para transformar o “Dominguinho” em um verdadeiro fenômeno musical brasileiro.





