Taiwan vira tema central em encontro entre Trump e Xi em meio à disputa entre EUA e China

Taiwan voltou ao centro da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China durante a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, iniciada na quarta-feira (13), em Pequim, e prevista para seguir até sexta-feira (15). A ilha, localizada no litoral chinês, é considerada um dos pontos mais sensíveis da rivalidade militar, tecnológica e econômica entre as […]

Taiwan voltou ao centro da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China durante a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, iniciada na quarta-feira (13), em Pequim, e prevista para seguir até sexta-feira (15). A ilha, localizada no litoral chinês, é considerada um dos pontos mais sensíveis da rivalidade militar, tecnológica e econômica entre as duas maiores potências do mundo.

A China considera Taiwan uma província rebelde e afirma que a ilha faz parte de seu território. Já os Estados Unidos não reconhecem formalmente a independência taiwanesa, mas atuam para preservar a autonomia da região e são os principais fornecedores de armas ao governo local.

Trump afirmou que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armamentos americanos para Taiwan, tema que há anos provoca irritação em Pequim. Segundo ele, a questão taiwanesa costuma aparecer nas conversas entre os dois países.

A importância de Taiwan começa por sua localização estratégica. A ilha fica no centro de rotas marítimas e militares da Ásia e integra a chamada “primeira cadeia de ilhas”, um arco que vai do Japão às Filipinas e limita o acesso da marinha chinesa ao Oceano Pacífico. Para os Estados Unidos, Taiwan funciona como um ponto de contenção à expansão militar chinesa no Indo-Pacífico.

Apesar de ter governo eleito, Constituição própria, Forças Armadas e passaportes próprios, Taiwan é reconhecida oficialmente como país por apenas 12 nações. Brasil e Estados Unidos não estão entre elas. Nas últimas décadas, China e Taiwan mantiveram um equilíbrio delicado: Pequim evitava uma invasão direta, enquanto Taipei não declarava independência formal.

Nos últimos anos, porém, a tensão aumentou. Sob o governo de Xi Jinping, a China ampliou exercícios militares no entorno da ilha e intensificou a pressão diplomática contra Taiwan, especialmente após a posse de Lai Ching-te, em 2024.

Além da posição militar, Taiwan tem papel decisivo na economia global por causa da produção de semicondutores, os chamados chips. Esses componentes são usados em celulares, computadores, carros, aviões, cartões bancários, eletrodomésticos e sistemas de inteligência artificial.

A ilha é responsável pela maior parte dos semicondutores mais avançados do mundo. A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, conhecida como TSMC, é a maior fabricante global do setor e fornece chips para empresas como Apple e Nvidia. Por isso, qualquer bloqueio ou conflito que afete Taiwan poderia provocar forte impacto na economia mundial.

A relevância da ilha aumentou ainda mais com a corrida global pela liderança em inteligência artificial. Estados Unidos e China disputam domínio tecnológico, e Taiwan se tornou peça-chave nessa competição por concentrar conhecimento e capacidade produtiva de chips de alta complexidade.

No campo militar, os Estados Unidos mantêm uma relação não oficial com Taiwan baseada na Lei de Relações com Taiwan, aprovada em 1979. A legislação permite que Washington forneça equipamentos defensivos à ilha, mesmo reconhecendo oficialmente a política de “Uma Só China”, segundo a qual Pequim é o único governo chinês legítimo.

Essa postura criou a chamada “ambiguidade estratégica”: os Estados Unidos não dizem claramente se defenderiam Taiwan em caso de invasão chinesa, mas também não descartam essa possibilidade.

Nos últimos anos, o apoio militar americano aumentou. Durante o primeiro governo Trump, os EUA venderam mais de US$ 18 bilhões em armamentos para Taiwan. Em dezembro de 2025, a ilha aprovou um pacote de US$ 11,1 bilhões para comprar armas americanas, incluindo sistemas de foguetes, mísseis antitanque, drones e peças militares.

A China reagiu às movimentações com novos exercícios militares ao redor da ilha. Para Pequim, a venda de armas e o apoio americano incentivam forças separatistas em Taiwan. Para Washington, a ajuda militar busca preservar a segurança regional e evitar uma mudança forçada no status da ilha.

Com isso, Taiwan permanece como um dos temas mais delicados da relação entre Estados Unidos e China, reunindo em uma mesma disputa interesses territoriais, militares, tecnológicos e econômicos.