PF fecha o cerco, e candidatura de Cláudio Castro ao Senado fica ainda mais ameaçada

A Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (15), ampliou a pressão sobre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e pode comprometer de vez seus planos de disputar uma vaga no Senado em 2026. Castro já entrava no tabuleiro eleitoral em situação delicada. Em março, o Tribunal Superior Eleitoral declarou […]

A Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (15), ampliou a pressão sobre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e pode comprometer de vez seus planos de disputar uma vaga no Senado em 2026.

Castro já entrava no tabuleiro eleitoral em situação delicada. Em março, o Tribunal Superior Eleitoral declarou sua inelegibilidade por oito anos, a contar da eleição de 2022, após condená-lo por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos na campanha à reeleição. A decisão foi tomada por 5 votos a 2, e a defesa do ex-governador anunciou recurso.

Agora, a situação política se agravou com a nova operação da PF, que cumpriu mandados de busca contra Cláudio Castro e também contra o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. A investigação apura suspeitas envolvendo um conglomerado do setor de combustíveis, acusado de usar estruturas societárias e financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e envio irregular de recursos ao exterior.

A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Candidatura sub judice fica sob risco ainda maior

Mesmo inelegível, Cláudio Castro vinha avaliando disputar o Senado sub judice, ou seja, mantendo a candidatura enquanto tenta reverter a condenação na Justiça Eleitoral. Com a operação da PF, porém, aliados e adversários passam a ver o projeto como ainda mais difícil de sustentar politicamente.

A avaliação nos bastidores é que a soma de problemas eleitorais, policiais e políticos pode tornar a candidatura inviável. Além da inelegibilidade, o ex-governador agora passa a carregar o desgaste de ter seu nome associado a uma investigação de grande porte no setor de combustíveis.

PL pode usar operação para redesenhar palanque no Rio

A operação também pode facilitar uma reorganização interna do PL no Rio de Janeiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca fortalecer seu espaço nacional e também enfrenta desgaste político por causa da relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, nunca demonstrou entusiasmo pela candidatura de Castro ao Senado.

Com o avanço das investigações, cresce dentro do partido a percepção de que manter Cláudio Castro como aposta eleitoral pode contaminar ainda mais o ambiente político da legenda no estado. Para setores do PL, uma solução rápida para o impasse ajudaria a reduzir danos e preservar o projeto nacional da sigla.

Refit, combustíveis e laços políticos no centro da crise

Outro ponto sensível da operação é o alcance político do caso Refit. Ricardo Magro, dono da empresa, é apontado como empresário com forte trânsito político, especialmente junto a setores do Centrão. A PF apura suspeitas de fraude fiscal, ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no ramo de combustíveis.

Com isso, o caso extrapola a esfera judicial e passa a ter impacto direto no cenário eleitoral de 2026. Para Cláudio Castro, que já tentava se manter competitivo apesar da condenação no TSE, a operação representa mais um golpe em sua tentativa de sobrevivência política.

Nos bastidores, a leitura é clara: Castro está cada vez mais isolado. E, se a Justiça confirmar sua inelegibilidade, a Operação Sem Refino pode ser lembrada como o episódio que sepultou de vez sua candidatura ao Senado.